O IFRS e a concessão de crédito para PME's


Além dos gestores das Pequenas e Médias Empresas (PME's), que terão em mão informações de melhor qualidade, as quais poderão se reverter em decisões mais acertadas a respeito do futuro da empresa, as instituições brasileiras da área de concessão de crédito também têm a ganhar com a adoção do IFRS (International Financial Reporting Standards - Normas Internacionais de Contabilidade) para pequenas e médias empresas. Para a chefe do Departamento de Contabilidade do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Vânia Maria da Costa Borgerth, o IFRS para PME's terá um papel fundamental na redução do custo de captação, uma vez que, em geral, a incerteza é sinônimo de risco, o que acaba por impactar negativamente no custo de empréstimos atribuído a essa categoria de empresas. “Sob o ponto de vista da concessão de crédito, as demonstrações contábeis em IFRS ajudarão a reduzir a informalidade e a incerteza quanto à posição financeira das pequenas e médias empresas”, afirma. Vânia analisa que isso deverá ocorrer porque a informação preparada com base no IFRS é mais ampla e transparente, permitindo ao analista de crédito ter uma visão mais abrangente e confiável sobre o negócio da empresa e sobre os possíveis impactos do projeto a ser financiado. “Quando o risco é conhecido, ele pode ser mais facilmente compensado. Por outro lado, quando há incerteza, os agentes financeiros costumam cobrar um spread a mais para cobrir algum tipo de eventualidade ainda não percebida”. No entanto, a chefe de Contabilidade do BNDES reconhece que ainda há muito a ser feito, no Brasil, para se difundir o conhecimento sobre o IFRS para PME's. Segundo Vânia, esse é um desafio ainda maior do que o trabalho de preparar a migração das companhias abertas e das instituições financeiras para o chamado ‘full IFRS – uma versão mais complexa do que a aplicável para as PME's – “porque muitos pequenos empresários, empresas de serviços contábeis e instituições de ensino, entre outros, que estão fora dos grandes centros, sequer ouviram falar em IFRS, muito menos em uma versão dedicada a PME's”.

Setor bancário

O diretor setorial de Assuntos Contábeis da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Daniel Liberati, também considera de extrema importância a adoção do IFRS na elaboração das demonstrações financeiras das PME's. “Isso vai possibilitar às pequenas e médias empresas compreenderem mais adequadamente sua situação econômico-financeira, propiciando maior segurança na comparabilidade das demonstrações contábeis das empresas de um ano para outro, entre organizações do mesmo mercado ou até entre as de mercados diferentes”, diz, acrescentando que, quando uma PME adota o modelo IFRS, significa que está utilizando normas conhecidas, confiáveis e transparentes. Quanto aos impactos esperados pelo setor bancário, em relação ao processo de análise e avaliação de crédito das pequenas e médias empresas, Liberati afirma que, primeiramente, é preciso que os profissionais envolvidos no processo decisório de crédito estejam preparados para compreender e analisar demonstrações contábeis elaboradas conforme o padrão internacional. A partir daí, segundo o diretor da Febraban, o acesso ao crédito pelas PME's poderá melhorar, uma vez que o processo de análise e concessão ocorrerá de modo mais confiável, resultando, para o setor bancário brasileiro, em uma possível diminuição de impairment dessas operações.

Fonte: IBRACON – Instituto Brasileiro dos Auditores Independentes (www.ibracon.com.br)

#EngenhariadeAvaliações #FinançasEmpresariais #PequenaseMicroempresas #IFRS

Postagens
Postagens Recentes
Arquivo